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Participação Gritar Palavras

O meu amigo José  Vale convidou-me para escrever no seu blog colectivo GRITAR PALAVRAS.

A minha participação é à quinta-feira e já lá canta uma posta minha.

Para além de mim outras pelos que respeito muito vão escrever no blog.

Deixo-vos o link www.gritarpalavras.wordpress.com

Vão lá espreitar.

Um Problema Democrático

A democracia tem destas coisas...

É verdade que a todos, em democracia, é "garantida" a liberdade de pensamento, acção e expressão. E sem esta "garantia" de liberdades, não haveria uma verdadeira democracia, pois assim se garante que a verdadeira voz do Povo é ouvida.

A Internet veio permitir às democracias a prática quotidiana da liberdade de expressão, através das caixas de comentários, onde os concidadãos podem expressar livremente a sua opinião, seja ela um arrazoado de insultos e um chorrilho de asneiras ou uma opinião critica sobre o que comenta.

Ora e é precisamente aqui que a democracia põe a descoberto a sua maior lacuna. É que ao garantir as diferentes liberdades, deveria também ensinar que o uso dessas liberdades é acompanhado por uma maior responsabilidade no uso dessas capacidades de cidadania e é aqui que as coisas falham...

Poderá haver democracia numa sociedade em que a raiz não o é? Poderá haver democracia numa cultura cujas raízes são fascistas ou totalitárias?

Serão as regras e a lei a maior salvaguarda de um Estado Democrático ou a forma de pensar do seu Povo?

BOM ALUNO, MÁ MATÉRIA


Dizem que a História é cíclica e que voltam sempre a acontecer as mesmas coisas em tempos diferentes. O estado em que nos encontramos hoje em Portugal é a prova viva disso e da nossa incapacidade de aprender com erros e com os excessos de voluntarismo bacoco.

A primeira vez que fomos “bons alunos” a lição levou-nos à terciarização da nossa economia, com alterações profundas no nosso tecido produtivo. Entretanto, o PM da altura hoje já diz que tem de haver uma maior aposta no sector primário e secundário da economia!!! Nessa altura era ver entrar em Portugal rios de dinheiro para a “modernização” da nossa economia e do País. A nossa “aprendizagem” e a criação de um Mercado Comum permitiu aos alemães alavancarem a sua economia de base industrial e aos franceses beneficiarem de uma PAC (Politica Agrícola Comum) que lhes tem sustentado a agricultura.

Hoje a “matéria” é outra mas a nossa postura é a mesma… Os países que mais beneficiaram com a criação deste modelo europeu e do mercado comum são os que hoje querem “obrigar” as economias em dificuldades a reduzir os seus deficits de forma brutal no mais curto espaço de tempo, impondo aumentos de impostos, desvalorização do trabalho e outras medidas que mais não visam que tenhamos dinheiro para lhes pagar a tempo e horas… E nós, como “bons alunos” exemplares, não só fazemos os que nos mandam, mas aumentamos a dose, só para que o Professor goste mais de nós que dos gregos ou do que essa miúda armada em mais esperta que os outros que é a Irlanda. Ir mais longe aqui significa impor um imposto, só para ter margem de conforto… Em suma, desde que paguemos a tempo e horas, os nossos “Mestres”batem palmas a qualquer medida, mesmo que esta seja uma desgraça completa.

Neste caso, o modelo que estamos a seguir vai levar a quê? O PM já o disse: a um empobrecimento relativo e absoluto como forma de sair da crise. E eu que sempre fui um aluno burro pergunto: Se a factura é para pagar através de aumentos da carga de impostos, o que vai suceder à nossa economia? (Até agora os cortes nas gorduras do estado, resultaram na amputação de um braço e de uma perna!!! Pois só foram feitos cortes na Saúde e nas prestações sociais) É que se os economistas deste país não estão enganados, o principal motor da nossa economia é o consumo privado e se não houver dinheiro para consumir (se ele for todo para o Estado) o que a acontece à nossa economia? Eu respondo: CONTRAI-SE!!!! E o que significa uma contracção da economia? Menor nível de impostos cobrados (menos dinheiro a entrar nos cofres do Estado); Aumento do desemprego (as empresas não vendem e fecham) e consequente aumento dos pagamentos das prestações sociais (aquelas que ainda houver, se as houver, depois das alterações todas…). Isto significa que para satisfazer os outros, corremos o risco de matar a nossa economia.

Para quem se estiver a perguntar sobre as nossas exportações lembre-se que os principais mercados para onde exportamos é a Europa e essas grandes economias estão a entrar em recessão, porque estão a exportar cada vez menos… Imaginam porquê? Talvez porque os mercados para onde exportavam estejam à rasca para conseguir ter dinheiro para sobreviver, quanto mais comprar “luxos”… Só um exemplo… o consumo de automóveis caiu 40% só este ano… Imaginem o que vai acontecer quando os cortes forem a doer?

BOA CRISE PARA TODOS!

As Aventuras económicas de um Professor Ministro


O Ministro da Economia afirmou hoje que Meia hora de trabalho extra é medida "fulcral neste grave momento de crise"!!! Ai sim? E porquê? Seria a pergunta que eu lhe faria se tivesse a hipótese, visto que não há nenhum jornalista disposto a fazê-la.

Começo por dizer que em primeiro lugar o que esta alteração traz é uma desvalorização do custo da mão-de-obra, pois baixa o valor-hora. Por exemplo se antigamente recebia 28,00€ por 8 horas de trabalho, o que dava 3,5€ por hora, agora pagar-se-á a mesma verba por 8:30 o que faz com que o valor-hora caia para os 3,29€.

Em segundo lugar permite que se labore mais meia hora por dia, permitindo uma maior produtividade, sem aumento do valor pago pelo tempo extra…

Mas será que na nossa realidade isto terá assim um impacto tão grande? Vejamos… Para que esta redução dos custos de produção tenha algum efeito prático é necessário que haja o que produzir… Lembro-vos que segundo estatísticas da UE, Portugal produz cerca de 21% das suas capacidades. Se assim é, este ganho de meia hora vai ter um impacto muito residual. Ou seja, teremos mais meia hora de não produção.

Mas principal problema é outro… Para quê trabalhar mais se a GRANDE maioria dos mercados que consomem os nossos produtos atravessam a mesma crise que nós e não têm dinheiro para pagar essas exportações? Quem é que aumenta a produção sem ter encomendas ou sem saber como vai vender? Será que o ministro se revê nos famosos planos quinquenais da URSS? Será isso?

Em todo o caso, esta desvalorização somente fará com que tentemos vender mais barato a quem não tem dinheiro para comprar!